15Mulher que escreveu a Bíblia

Sobre o livro e Moacyr Scliar


“A mulher que escreveu a Bíblia”, conta a história de uma mulher contemporânea que descobre, através de uma terapia de vidas passadas, sua identidade ancestral, a um só tempo encantadora e assustadora. Ela fora, no século X a. C., uma das setecentas esposas do rei Salomão - a mais FEIA de todas, mas a única capaz de ler e escrever; e a quem, encantado com essa habilidade inusitada (“...mulher escrevendo? ...Mulher, mesmo feia, era para cuidar da casa, para casar, gerar filhos.”), o sábio Rei encarregou de escrever a história do seu povo. História essa que a anônima narradora batiza com um nome grego: bíblion, BÍBLIA.

Não por acaso “a feia” é anônima. A História, a grande e oficial História onde figuram Salomões, Napoleões e Césares é escrita, de fato, pelos excluídos, deserdados, anônimos. Através dessa personagem de grande fealdade e inteligência ainda maior, Moacyr Scliar mostra sua simpatia pelos discriminados e verdadeiros heróis dos tempos.

Utilizando-se de uma narrativa virtuosa e fascinante, que conjuga anacronismos, erudição, linguagem bíblica e chula, o autor construiu com grande sucesso, o que os editores chamaram de “misto de sátira e aventura”. O resultado chegou no ano seguinte ao seu lançamento, dando a Moacyr Scliar o Prêmio Jabuti de 2000.

Moacyr Scliar é sem dúvida um de nossos maiores autores contemporâneos. Não por acaso tem vários de seus livros publicados em doze idiomas e recebeu três vezes o prêmio Jabuti, além do APCA e o Casa de Las Americas. Sua obra abrange conto, romance, literatura juvenil, crônica e ensaio. Entre mais de sessenta obras, citamos: “O carnaval dos animais”, “O exército de um homem só”, “O centauro no jardim”, “Max e os felinos” – em que o canadense Yann Martel, prêmio Booker de 2002, declarou ter se baseado pra escrever o seu “The Life of Pi” - e “A Orelha de Van Gogh”.

Para assistir trechos do espetáculo e entrevista com a atriz:
http://www.vrio.com.br/entretenimento/20/a-mulher-que-escreveu-a-biblia/


Sobre a montagem


Concebida e dirigida por Guilherme Piva, como um monólogo para a atriz Inez Viana, o romance foi adaptado por Thereza Falcão.
O espetáculo inicialmente patrocinado pelo SESC, teve uma curtíssima temporada no Espaço SESC Copacabana, de 16 de novembro a 02 dezembro de 2007, onde foi agraciado com excelentes críticas além de considerada uma da 10 melhores peças de 2007 pelo Jornal O Globo. Devido ao enorme sucesso, teve sua reestréia no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, em janeiro de 2008 cuja temporada já foi prorrogada duas vezes.
A montagem teve ainda duas indicações para o Prêmio Shell 2007: melhor atriz para Inez Viana e melhor iluminação para Maneco Quinderé.

Em cena, acompanhamos a trajetória da narradora - “a feia” - a partir dos seus dezoito anos, quando descobre a extensão de sua feiúra (“...espelho era coisa cara, ao alcance só de nobres e ricos proprietários”).
Ao se ver no espelho, “a feia” se vê obrigada a encarar seu papel em sua sociedade, o de rejeitada, o de excluída. Mas com uma mãozinha do destino, o “defeito” que a discrimina torna-se a centelha que fará com que, na contramão das mulheres de seu tempo, ela venha a ser respeitada.
Após ser secretamente “alfabetizada” pelo escriba de sua aldeia (“Por piedade, talvez... Ou por certa premonição – o futuro, como se verá, reservava-me uma surpresa...”, e sendo a filha mais velha de um obscuro chefe tribal, “a feia” é tomada como esposa pelo rei Salomão, selando assim a aliança entre corte e aldeia. Na corte, “a feia” descobre-se apaixonada por Salomão que, ao ver o rosto da nova esposa, estremece. Mas ela não se deixará abater pela rejeição do seu amado, e quanto mais cresce o sentimento que nutre pelo monarca, mais cresce sua aguda observação dos fatos e da vida, da política e da alma dos homens. Ela amadurece. A romântica “feia” subverte sua condição. Transforma sua revolta em sabedoria. Ao fim do espetáculo, assim como ao fim do livro, não podemos deixar de ver a beleza em seu rosto. “Não a falsa beleza que os espelhos enganosamente refletem, mas a verdadeira e duradoura beleza”.

Para contar essa grande história, em 90 minutos de espetáculo, Inez Viana conta com a preparação corporal de Daniela Amorim, com o cenário de Sérgio Marimba, que estiliza o “deserto” onde sobrevive nossa narradora, a iluminação delicada de Maneco Quinderé, a bela música de Marcelo Alonso Neves e o figurino único de Rui Cortez.


Ficha Técnica


Autor: Moacyr Scliar
Adaptação: Thereza Falcão
Concepção e direção: Guilherme Piva
Performance: Inez Viana
Música original e direção musical: Marcelo Alonso Neves
Cenário: Sérgio Marimba
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurino: Rui Cortez
Preparação corporal: Daniela Amorim
Designer gráfico: Paula Joory
Fotos: Estela Albani
Produção executiva: Isabel Themudo
Assistente de produção: Adriana Zonis
Direção de produção: Inez Viana, Guilherme Piva e Thereza Falcão

Serviço


Re-estréia: 07 de agosto de 2008 (até 14 setembro - podendo renovar)
Censura: 16 anos
Local: Teatro Leblon - Sala Tonia Carrero
Endereço: Rua Conde de Bernardote, 26- loja 104 – Leblon - RJ
De Quinta à Sábado: 21h e Domingo: 20h
Preços: Quintas e Sextas 50,00 e 25,00 (idosos e estudantes) Sábados e Domingos: 60,00 e 30,00 (idosos e estudantes)


 

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